Potássio, terras raras, lítio, grafita, níquel, cobre, nióbio, vanádio e titânio: a lista parece um inventário técnico, mas é a receita por trás de baterias, painéis solares e turbinas eólicas. É justamente esse insumo de base que o Brasil está mapeando, financiando e começando a extrair em escala — e o avanço já tem números concretos.
Um levantamento do Valor Econômico em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME) identificou os dez maiores projetos de minerais críticos em operação no país, somando R$ 39,4 bilhões em investimentos — valor que cobre desde estudos avançados até plantas em produção. Entre os projetos mapeados estão Autazes, da Potássio do Brasil, voltado à produção de potássio; Caldeira, da Lynas Rare Earths, em terras raras; e Colossus, da Viridis, também em terras raras — ao lado de iniciativas em lítio, grafita, níquel, cobre, nióbio, vanádio e titânio distribuídas pelo país.
O impulso tem endereço regulatório recente: o marco legal do setor mineral, aprovado em setembro de 2026, criou créditos fiscais específicos para a cadeia de minerais críticos e instituiu o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), que pode receber até R$ 2 bilhões da União para destravar financiamento a projetos considerados estratégicos. É resposta direta a um gargalo conhecido do setor: mineração de minerais críticos exige capital intensivo e de longo prazo, pouco compatível com linhas de crédito convencionais.
Na ponta do crédito, BNDES e Finep já avaliaram 56 planos de negócio ligados a essa cadeia, dos quais 12 estão em negociação avançada — um funil concreto de capital público mirando uma cadeia que, historicamente, o Brasil exportava em estado bruto e importava de volta já processada em produtos de maior valor agregado.
Por que isso importa para o ecossistema
Para o ecossistema de inovação em energia, o movimento importa porque minerais críticos são o primeiro elo de toda a cadeia de armazenamento e renováveis: sem eles, não há bateria de BESS, veículo elétrico, módulo solar ou turbina nacional. O FGAM e a seleção de planos pelo BNDES e pela Finep abrem uma janela real de capital e redução de risco para empresas de mineração-tech, beneficiamento e processamento — e para fundos e estruturas de CVC com tese voltada à cadeia de suprimentos da transição.
O que isso significa para o ecossistema de energia
- O FGAM e o funil de crédito do BNDES e da Finep abrem uma janela de capital e de redução de risco para mineração-tech, beneficiamento e processamento.
- Minerais críticos são insumo direto de baterias (BESS e veículos elétricos), módulos solares e turbinas — a soberania da cadeia de armazenamento vira política industrial.
- Os gargalos declarados — mão de obra especializada e financiamento de longo prazo — são, eles próprios, frentes de oportunidade para aceleradoras, capacitação técnica e articulação de capital.
Os próprios gargalos citados no levantamento — falta de mão de obra especializada e acesso a financiamento de longo prazo — são, na prática, espaço de oportunidade para quem conecta conhecimento, capital e tecnologia: aceleradoras, provedoras de capacitação técnica e articuladores de negócios encontram aqui uma frente ainda pouco explorada no ecossistema brasileiro de energia. A disputa global pela cadeia de minerais críticos deixou de ser apenas tema de política externa e virou, com o FGAM e o funil do BNDES e da Finep, uma frente doméstica concreta de inovação e negócios.
